Deixando a adolescência pra trás no Lollapalooza Paris

Houve uma época em que eu morreria pelos meus artistas favoritos. Eu precisava loucamente comprar todos os álbuns, assistir qualquer coisa que eles apareciam e, é claro, ir a todos os shows. Já que isso era um pouco complicado morando no Brasil, e bem, nenhum artista internacional ia pra lá frequentemente nos anos 2000, qualquer oportunidade era um acontecimento. Festivais eram minha vida por juntar tanta gente que eu gostava. Hoje em dia eu mal me importo com todos os artistas que eu costumava admirar. E neste final de semana, no Lollapalooza Paris, eu descobri que na verdade eu sou uma pessoa completamente diferente.

Eu não cheguei várias horas antes só pra garantir meu lugar na grade. Eu ao menos tive a ambição de ficar na grade. Com isso, eu não sacrifiquei toda uma experiência no festival apenas para ficar a alguns metros de distância dos meus artistas favoritos, e cara, como eu queria ter esse pensamento antes. Um festival como o Lollapalooza é tipo uma mini-cidade cheia de música e coisas legais pra fazer, e eu sinto como se eu tivesse perdido o maior tempo parada em frente a um único prédio.

Casualmente olhando para o nada no Lollapalooza

O lineup tinha quatro artistas que eu queria muito assistir, dois em cada dia. No primeiro, eu vi tudo de bem longe do palco.  No segundo, eu tive sorte e fiquei um pouco mais perto. A diferença? Eu não consigo dizer, tive exatamente a mesma diversão nos dois dias não apenas vendo os shows, mas descobrindo novos artistas, jogando videogames antigos, e comendo comidas maravilhosas (e baratas!!). Eu tive uma experiência, não uma obrigação como fã. E aqui vai a minha impressão geral.

Dia Um – 22 de Julho

Eu saí de Amsterdã um pouco atrasada e cheguei em Paris por volta das 14h, perdendo o início do festival. A Danielly de 16 anos iria morrer, mas já que eu não conhecia nenhuma banda tocando tão cedo, decidi não me preocupar tanto com coisas que fogem do meu controle. Eu tive tempo de tomar banho, fazer minha maquiagem… Estava tudo bem mesmo e eu cheguei no Hippodrome de Longchamp, o lugar onde foi o Lollapalooza Paris, às 16h. E como você pode esperar de alguém que acabou de viajar cinco horas, eu estava morrendo de fome.

Posso parecer um pouco caipira agora, mas este foi o meu primeiro festival fora do Brasil e eu tô acostumada com pouquíssimas opções quando o assunto é comida. Agora, imaginem minha surpresa quando eu me deparei com vários food trucks oferecendo trocentas possibilidades e com um preço bom. Eu queria comer TUDO. Mas enfim, meu estômago não aguentaria tanto e eu acabei escolhendo um churrasco argentino. Que escolha certíssima, estava maravilhoso.

A coisa mais linda que você verá hoje

Depois de comer,  chegou a hora  de realmente aproveitar o festival. Eu vi o The Hives de super longe do palco, mas eu não poderia me importar menos com isso. Tinha meu espaço pra dançar, pular e curtir o show incrível que eles fizeram. Depois fui jogar Super Nintendo na tenda de videogames (e como eu sempre digo, Super Mario nunca é demais), e ainda consegui assistir metade do show do London Grammar antes de ir pro The Weeknd.

The Hives: longe, mas incrível

Ele tem tantos hits. Com certeza um show pra cantar cada música e não parar de curtir um minuto sequer. Pra mim, ele não tem muita presença de palco, mas a voz dele é sensacional ao vivo e os efeitos especiais no palco foram muito legais. Um ótimo encerramento para o primeiro dia.

Olha que palco sensa!

Dia Dois – 23 de Julho

Estava planejando chegar cedo para assistir Charli XCX, mas eu acabei saindo do hotel na hora que ela já estava se apresentando. Fica pra próxima. Então eu vi algumas bandas que eu não conhecia, e almocei antes de jogar Super Nintendo de novo (posso ou não ser meio viciada). Daí fui pro show do Editors, mas antes do final eu percebi que o palco onde o Liam Gallagher iria tocar ainda não estava lotado. Ele era literalmente ao lado do palco onde eu estava e ainda dava pra assistir tudo pelos telões, então não foi uma decisão difícil ir pra lá.

BECAUSE MAYBEEEEEEEEE…

Felizmente Liam tocou uma boa quantidade de músicas do Oasis (eu não acompanho muito a carreira solo dele), e encerrou o set com a clássica Wonderwall. O festival inteiro cantou com ele. E então, depois de quase dois dias agindo como uma pessoa muito madura no Lollapalooza, Lana del Rey aconteceu. Eu amo demais essa mulher e o show dela seria no mesmo palco que o Liam, só que uma hora depois. Aí eu fiquei lá pra manter um lugar mais próximo.

No palco ao lado, Pixies estava tocando, então foi uma espera bem agradável e o tempo passou rápido. Em pouco tempo, Lana já estava na minha frente cantando todas as músicas que eu amo. Ela é maravilhosa. Talvez por ela ser a única que eu não só esperava ver, mas sou realmente fã, achei que o show foi curto demais e senti falta de várias músicas na setlist dela. Mas de qualquer forma, foi ótimo.

CASA COMIGO, MULHER!!

O headliner do dia foi o Red Hot Chilli Peppers. E eu sei que várias pessoas podem me odiar agora mas… Eu não gosto deles tanto assim. Eu assisti o início do show, maiores hits, e saí a caminho da Sephora pra comprar um batom que não é vendido na Holanda e eu não teria tempo de comprar no dia seguinte haha.

E assim terminou a minha experiência no Lollapalooza Paris. Foi intenso, descontraído e extraordinário. Mal posso esperar pelo meu próximo festival sendo adulta.

Brasileira morando em Amsterdã tentando entender a vida. Fã de futebol, obcecada por maquiagem e vítima da moda, é tão eclética que meio que não se encaixa em estereótipos. Ama viajar e quer conhecer o mundo.
2 comentários
  1. Que post legal! Me senti no Lollapalooza junto contigo e me fez ficar ainda mais ansiosa pelo Rock In Rio desse ano!
    Sobre “deixar a adolescência pra trás”: É muito legal perceber o quanto amadurecemos com o decorrer do tempo, né? Não sou tão ligada assim em música, mas amo os eventos e realmente eles têm diversas atrações sensacionais. Que bom que conseguiu aproveitar!
    Esse churrasco me deixou com água na boca e amei o teu look, provavelmente o usarei de inspiração em setembro! <3

    Me chama de Bella

    1. Ahhhh fico tão feliz que tu pôde se sentir um pouquinho no festival! E o RIR tá chegando!! Se divirta bastante por lá <3
      Na adolescência tudo é mais intenso, né? Mas aí pelo apego a um artista a gente acaba nem aproveitando tanto, bem melhor agora que a gente amadureceu e consegue aproveitar tudo!
      E manda foto do look!! haha uma das partes mais legais de festival é se vestir pensando nisso, a gente não só quer ter estilo, como quer ficar confortável pra aguentar o dia inteiro.
      Valeu mesmo por comentar, Bella <3

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